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quinta-feira, abril 25, 2013

poemas de uma revolução em Abril


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1.
há um traço invisível
um arco traçado entre a palma da tua mão e o meu pulso roliço
onde resguardo as veias do desespero.
entre o polegar e o dedo médio, anelados, ficam as linhas da vida e do amor
vincadas, fundas, traçadas entre a palma da minha mão e o teu pulsar
surpreso
entre o lado esquerdo e o lado pleno.
há um traço invisível, amorzinho, suave latejo de juventude ainda
suspiro risonho e já paciente, um laivo um esgar um confuso e inesperado
surpreso
onde as rugas se guardam do desconsolo.
há um traço invisível, amorzinho.
nossas bocas saberão, do tacto, a distância e, da pele, a confusa fusão
surpresa
do abraço traçado entre o teu peito roliço e a paz da minha cintura intensa.
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2.
os olhos fecham-se tímidos ou míúdos ou gastos de fumos.
sabe-se lá.
os olhos, não o olhar que, este, expande-se
pelo universo de lutas sonhos percas e mais
sabe-se lá.
os olhos fogem inquietos como sedentos. ausentes
retiram-se ao mesmo tempo da sua profunda imersão na figura em frente
sabe-se lá
de onde veio como está para onde sai ou se nem sai
sabe-se lá.
o olhar habilidoso permanece sem garantias
perdura regressa invade e fica
sabe-se lá
até quando.
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3. 
os olhos fecham-se.
tímidos míúdos ou gastos de fumos
não o olhar que se expande
pelo universo de lutas percas medos e sonhos
os olhos fogem inquietos como sedentos.
ausentes retiram-se
ao mesmo tempo da sua profunda imersão na figura em frente.
o olhar habilidoso permanece sem garantias
perdura regressa invade e fica
até soltar este poema.
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maria toscano. in "Poemas para uma Revolução de Abril". ©
Coimbra, Casa Verde. 24 de Abril / 2013.
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Sem comentários:

já de abalada? ande cá! corra a cuartina de riscas e sente-se aí no mocho (no canapé? é melhor nã, nã seja que as preguetas lhe dêem cabo da roupa).
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faz calôrê nã? é tempo dele! no cântaro hai água fresquinha! e se quiser entalar alguma coisaaaa... a asada das azeitonas está chêinha, no cesto hai bobinha e papo-secos (com essa chôriça... ou com o quêjo de cabra, iiiisso!, nessa seladêra de esmalte!);
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chegue-se à mesa! - cuidado não lhe rebole a melancia para cima dos dedos do péi... assim... - entã nã se está melhórê?
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nã, nã, agora nã vai máinada! estou a guardar-me pra logo... ora na houvera de sêri! ah! já lhe dê o chêro! pois é: alhos e coentros e um nadica de vinagrê... vem aí do alguidar de barro... sim, sã nas carnes prá cêa.
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como nã sê o que o trouxe cá, forastêro, ‘stêja nesta sulmouradia como à da sua: pode ir mirando os links ("do monte"; "olivais..."; "deste planAlto..."; estas é que são...") os montes de que gostamos; pode ir vendo os posts por data ou esprêtando as nossas etiquêtas
("portados"); ou pode ir passando os olhos só pelos mais recentes.
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ah! repare lá que por estes lados nã temos o hábito de editarê todos os dias - não é um blogue-diário, 'tá a vêri?; pensámo-lo antes como sendo uma espécie de blogue-testemunho das vozes do Sul (o de cá e os Suis todos); mas temos ainda muito qu'arengar... vamos lá chegando, n'éi? devagarê, que o sol quêma!
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