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sábado, fevereiro 18, 2006

os espelhos, falam.

quando o ruído é ensurdecedor
.de tão calado
.refracta-se o silêncio
.por entre as pedritas de areia original
.e ouve-se, ao longe,
.de mansinho,
.o líquido andamento das marés.
.
.
.
os espelhos , falam.
.
.
.
crepitam sílabas de espuma
.branca
.verde na moldura
.dourada no ponto de fuga
. de teus olhos cor de mel.
.
.
.
os espelhos, falam.
.
.
.
ditam, solenes,
.passos de mulheres pela beira-mar
.passadas do teu dsesespero errante
.conchas e algas
.férteis
. - memórias de tempos sem espelhos.
.
.
. os espelhos, falam.
.limpos de pontuação
.rimas erros populares
.os espelhos resistem.
.
.
.
falam de maresia brava
.da aurora de mão dadas
.do meu tronco repousado em teu peito.
.
.
.
falam, os espelhos.
.
.
.
.
ilesos de parágrafos e meneios
.estendem-se a toda a lonjura
.do desejo
.e aguardam
.que faça efeito a sua cantata.
.
.
.
podem aguardar, assim,
.meses, anos, tempos emersos.
.são espelhos:
.nada os move nem fere
.nenhuma frase
.ou evasiva os perturba.
.
.
hieráticos .erigidos contra o passante tempo
.aguardam
.orando a cantata das marés.
.
.
e só quando maresia e algas
.se reconhecem
.fundindo-se
.começam a repousar
. - os espelhos -
.baixando as armas:
.deixam que o pó os abrace
.consentem em amarelar-se
.libertam casquinhas
.e retornam
.solenenemte
.à vida saudosa dos areais
.saudosos dos passos enamorados de mulheres
.à beira de água e sal.
.
.
.maria toscano,
. Coimbra, Café Santa Cruz, em 25 de Janeiro de 2006
.
.
.
.
Foto: Chema Madoz.
.
.50x40 (1990)Tirada 15

2 comentários:

Mário Furtado disse...

Acho que comentei este texto noutro local; portanto, fiz confusão entre espelhos, o que me parece normal quando se fala de reflexos: há imagens que confundem! O comentário que fiz Ee que mantenho foi: ISTO É UM TEXTO FORTE!

mouradia disse...

forte, como o mezcal?
:-)

beijinhosssss

já de abalada? ande cá! corra a cuartina de riscas e sente-se aí no mocho (no canapé? é melhor nã, nã seja que as preguetas lhe dêem cabo da roupa).
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faz calôrê nã? é tempo dele! no cântaro hai água fresquinha! e se quiser entalar alguma coisaaaa... a asada das azeitonas está chêinha, no cesto hai bobinha e papo-secos (com essa chôriça... ou com o quêjo de cabra, iiiisso!, nessa seladêra de esmalte!);
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chegue-se à mesa! - cuidado não lhe rebole a melancia para cima dos dedos do péi... assim... - entã nã se está melhórê?
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nã, nã, agora nã vai máinada! estou a guardar-me pra logo... ora na houvera de sêri! ah! já lhe dê o chêro! pois é: alhos e coentros e um nadica de vinagrê... vem aí do alguidar de barro... sim, sã nas carnes prá cêa.
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como nã sê o que o trouxe cá, forastêro, ‘stêja nesta sulmouradia como à da sua: pode ir mirando os links ("do monte"; "olivais..."; "deste planAlto..."; estas é que são...") os montes de que gostamos; pode ir vendo os posts por data ou esprêtando as nossas etiquêtas
("portados"); ou pode ir passando os olhos só pelos mais recentes.
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ah! repare lá que por estes lados nã temos o hábito de editarê todos os dias - não é um blogue-diário, 'tá a vêri?; pensámo-lo antes como sendo uma espécie de blogue-testemunho das vozes do Sul (o de cá e os Suis todos); mas temos ainda muito qu'arengar... vamos lá chegando, n'éi? devagarê, que o sol quêma!
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