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domingo, junho 11, 2006

amo o coração (9 modos)

1.
amo o coração das andorinhas.
no branco curto
inscrito
protegido por penas
curvas
viaja
continentes
borda
o branco da memória.
amo o coração das andorinhas.
renovado
em cada nova estação.
amo. teu coração.
eu, andorinha.
2.
amo o coração do que se ausenta
alheio à cereja
que são meus lábios
a meu abraço
a cada passo intenso
alheio, estranho
algures
distante
amo o coração
do que se ausenta
inteiro, palpita.
em meu olhar.

3.
amo o coração de quem caminha.
braço largo preciso
neste universo
compassada
cadenciadamente
comovido
aloja-se em espáduas
peito largo
vigoroso
preciso amplexo
neste ombro
e línguas que amo
se te caminho.

4.
amo o coração do que se abriga.
esmerado
temeroso
quase assustado
borbulha em baínhas
de sítios graves
onde o aguarda
o amanhecer
da flor

amo o coração do que se abriga
entre as pétalas que abro.

5.
amo o coração de tudo que chora.
em silêncio
ou estrépitos sem nome
anichado
inteiramente
na entrega
branca lágrima
branca
de leite
amo o coração de tudo que chora
em estrépitos
na entrega a meu nome.

6.
amo o coração do que se espanta
entre portas
parado sem se mover
o susto inteiro
habita
a admiração
num arrepio interno
o raro
contempla
a pérola da vida
a comoção

amo o coração do que se espanta

ante a pérola viva.
minha mão.

7.
amo o coração que surpreende.
as árvores à beira do precipício.
de ramagens verdes
ou adiadas
de tronco forte e escuro
ancestrais
nascidas ali desde os tempos
ilesos
à volta, rolaram pelas escarpas
pedras e armas de povos degolados
persistimos
guardiãs do horizonte
onde só teu coração me surpreeende.

8.

amo o coração que se avizinha

em cada olhar contido

ou evitado

húmido de infância

e ilusões

túmido de lux

uria

e meigo.

teu coração

que se avizinha

do meu.

em explosão.

9.

amo o coração que se sustém

contendo o cosmo

inspira verbos longos

decassí

labios

intensa, intensa pulsação

impulso ou matriz. respirados.

amo o coração que se sustém

até que nos respira

cada lábio.

maria toscano. Coimbra, tagv, 8-9 Junho/2006

2 comentários:

melchom disse...

amo

o

poema

maria

mouradia disse...

este está a "crescer"...
:-)
a ver...

graTa, MOURA

já de abalada? ande cá! corra a cuartina de riscas e sente-se aí no mocho (no canapé? é melhor nã, nã seja que as preguetas lhe dêem cabo da roupa).
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faz calôrê nã? é tempo dele! no cântaro hai água fresquinha! e se quiser entalar alguma coisaaaa... a asada das azeitonas está chêinha, no cesto hai bobinha e papo-secos (com essa chôriça... ou com o quêjo de cabra, iiiisso!, nessa seladêra de esmalte!);
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chegue-se à mesa! - cuidado não lhe rebole a melancia para cima dos dedos do péi... assim... - entã nã se está melhórê?
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nã, nã, agora nã vai máinada! estou a guardar-me pra logo... ora na houvera de sêri! ah! já lhe dê o chêro! pois é: alhos e coentros e um nadica de vinagrê... vem aí do alguidar de barro... sim, sã nas carnes prá cêa.
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como nã sê o que o trouxe cá, forastêro, ‘stêja nesta sulmouradia como à da sua: pode ir mirando os links ("do monte"; "olivais..."; "deste planAlto..."; estas é que são...") os montes de que gostamos; pode ir vendo os posts por data ou esprêtando as nossas etiquêtas
("portados"); ou pode ir passando os olhos só pelos mais recentes.
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ah! repare lá que por estes lados nã temos o hábito de editarê todos os dias - não é um blogue-diário, 'tá a vêri?; pensámo-lo antes como sendo uma espécie de blogue-testemunho das vozes do Sul (o de cá e os Suis todos); mas temos ainda muito qu'arengar... vamos lá chegando, n'éi? devagarê, que o sol quêma!
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