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domingo, setembro 23, 2007

boletim (continuação) mt

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nesta estação de pedra
cheira a goteiras
chorosas
pelos cravos e as malvas.
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ervas danam o lastro
da água doce
do leito da esperança
amealhada
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nesta estação de pedra
só há coisas.
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nem as águas de sal salvam os vermes
padroeireos do caruncho
do bolor.
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oxalá o rio novo não esmoreça
e deleite, encorpado,
os pardais.
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nesta estação de pedra
abandonada
esquecida, a esperar,
uma raiz
ensina a quem passa
o que é o sonho.
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haja quem passe e saiba
aprender.
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nesta estação de pedra
houve um tempo
apertando no peito o reencontro
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houve um imberbe tempo
exigindo
a partida implacável
e urgente
de casa de pais secos
de velhice.
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houve um tempo angustiado
de quem chega
sem presentes nem flores
no fato preto.
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houve um tempo inconstante duvidoso
de amantes
descaradamente secretos
a exalar o desejo ao passar.
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houve um tempo.
mas as coisas cá estão.
perenes.
na pedra da estação.
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maria toscano
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Coimbra, 21 Set / 2007 (inédito)
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2 comentários:

Anónimo disse...

O espírito dos lugares, só o encontra quem sabe! É sempre um grande desafio, e quem o pode quem é?
Sim, é louvor, eu louvo sempre aquilo
que aprecio,e quem procura...
um abraço do zé marto

sulmoura disse...

(bem sei!)

thanks! irmão!
ABRAÇÃO!
bjs
manat

já de abalada? ande cá! corra a cuartina de riscas e sente-se aí no mocho (no canapé? é melhor nã, nã seja que as preguetas lhe dêem cabo da roupa).
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faz calôrê nã? é tempo dele! no cântaro hai água fresquinha! e se quiser entalar alguma coisaaaa... a asada das azeitonas está chêinha, no cesto hai bobinha e papo-secos (com essa chôriça... ou com o quêjo de cabra, iiiisso!, nessa seladêra de esmalte!);
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chegue-se à mesa! - cuidado não lhe rebole a melancia para cima dos dedos do péi... assim... - entã nã se está melhórê?
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nã, nã, agora nã vai máinada! estou a guardar-me pra logo... ora na houvera de sêri! ah! já lhe dê o chêro! pois é: alhos e coentros e um nadica de vinagrê... vem aí do alguidar de barro... sim, sã nas carnes prá cêa.
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como nã sê o que o trouxe cá, forastêro, ‘stêja nesta sulmouradia como à da sua: pode ir mirando os links ("do monte"; "olivais..."; "deste planAlto..."; estas é que são...") os montes de que gostamos; pode ir vendo os posts por data ou esprêtando as nossas etiquêtas
("portados"); ou pode ir passando os olhos só pelos mais recentes.
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ah! repare lá que por estes lados nã temos o hábito de editarê todos os dias - não é um blogue-diário, 'tá a vêri?; pensámo-lo antes como sendo uma espécie de blogue-testemunho das vozes do Sul (o de cá e os Suis todos); mas temos ainda muito qu'arengar... vamos lá chegando, n'éi? devagarê, que o sol quêma!
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