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quinta-feira, julho 02, 2009

Parábola do Inconforto - maria toscano/ III Festival Internacional de Poesia - Usina de Sonhos, Dois Córregos, 26a28 Junho/2009 (SP, br)

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Esta Parábola constou de três partes: 
Um breve discurso livre (2.º momento) 
que tomou como ponto de partida a leitura 
(1.º momento) do documento que abaixo se transcreve.
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E o ritual poético propriamente dito, 
que foi desenrolado num 3.º momento 
em torno de fragmentos do inédito de maria toscano, 2003
"resguardo das Esfinges. declinações do branco".
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"O pacto a firmar com este texto será sempre «de inconforto« (não de desconforto, mas de inquietação, no que o termo tem de mais estimulante): não estamos aqui para ler coisas de esquecer; não estamos aqui para falar de histórias de uma história que todos conhecemos, porque elas não se alteraram muito nos últimos duzentos e cinquenta anos e continuamos a vivê-las e a observá-las no nosso dia a dia. São as histórias de um género que se impôs como narrativa realista, se transformou no paradigma máximo daquilo a que se chama «literatura«, e se ocupa quase sem excepção de destinos individuais, de sujeitos que não ultrapassam uma dimensão psicológica e emocional, e não se movimentam para além de uma espécie de redil, a que se chama sociedade, e onde um um número limitado de «tipos« lutam para se anularem uns aos outros, psíquica ou economicamente — a essa «arte narrativa« chamou Maurice Blanchot «a eterna literatura das amas (Blanchot: 1984, 150). Em certos casos, projectam-se esses conflitos num fundo avermelhado que os faz cair na História, que é sempre a história do poder de uns quantos sobre outros, nunca a da pujança latente em todos e no Ser em geral, que está aí e nos olha (é deste olhar das coisas e dos Vivos, que nós nem sempre dominamos, que vem o inconforto e o medo que alimentam uma escrita-outra, como é a de Maria Gabriela Llansol). Por vezes, já mais próximo de nós, alguns, poucos, souberam afinar a atenção para aquilo que o mundo (dos mundos) nos olha, transformá-la numa espécie de «oração natural da alma«, e produzir com isso textos em que outras dimensões afloram, outras figuras dominam — a do oxímoro, a da ironia ou do paradoxo —, perturbantes também eles, mas quase nunca jubilosos, antes trágicos (a isso chamou-se Modernidade ou Modernismo, e alguns dos seus grandes nomes foram, por exemplo, Kafka, Musil ou Pessoa (...) ".
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Barrento, João. 2008. "A Chave de Ler. Caminhos do Texto de Maria Gabriela Llansol". Na Dobra do Mundo - Escritos Llansolianos. 1.ª ed. Lisboa: Mariposa Azul, 32-33.
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Referência: Blanchot, Maurice. 1984. O Livro por Vir. Lisboa: Relógio d´Água.
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para aceder a fragmentos de "resguardo das Esfinges. declinações do branco." clicar aqui.
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CRÉDITOS: Fotos: Murilo Barbosa (creio... )
:-)
mt

2 comentários:

gabriela rocha martins disse...

fazes favor.....soube.me a muito pouco....quero mais

( isto é - podes dar.nos um pouco mais da tua lavra? )


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um beijo

Maria Toscano disse...

CARA Maria Gabriela: por ora... é só...
:-)

Grata!, mt

já de abalada? ande cá! corra a cuartina de riscas e sente-se aí no mocho (no canapé? é melhor nã, nã seja que as preguetas lhe dêem cabo da roupa).
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faz calôrê nã? é tempo dele! no cântaro hai água fresquinha! e se quiser entalar alguma coisaaaa... a asada das azeitonas está chêinha, no cesto hai bobinha e papo-secos (com essa chôriça... ou com o quêjo de cabra, iiiisso!, nessa seladêra de esmalte!);
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chegue-se à mesa! - cuidado não lhe rebole a melancia para cima dos dedos do péi... assim... - entã nã se está melhórê?
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nã, nã, agora nã vai máinada! estou a guardar-me pra logo... ora na houvera de sêri! ah! já lhe dê o chêro! pois é: alhos e coentros e um nadica de vinagrê... vem aí do alguidar de barro... sim, sã nas carnes prá cêa.
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como nã sê o que o trouxe cá, forastêro, ‘stêja nesta sulmouradia como à da sua: pode ir mirando os links ("do monte"; "olivais..."; "deste planAlto..."; estas é que são...") os montes de que gostamos; pode ir vendo os posts por data ou esprêtando as nossas etiquêtas
("portados"); ou pode ir passando os olhos só pelos mais recentes.
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ah! repare lá que por estes lados nã temos o hábito de editarê todos os dias - não é um blogue-diário, 'tá a vêri?; pensámo-lo antes como sendo uma espécie de blogue-testemunho das vozes do Sul (o de cá e os Suis todos); mas temos ainda muito qu'arengar... vamos lá chegando, n'éi? devagarê, que o sol quêma!
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