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terça-feira, dezembro 14, 2010

cumplicidades

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1.
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longe e saudosa, a tua mão,
pai.
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rugosa da terra das vagens
e das vagas humanas de arrogância
e pólvora impunes.
longe e saudosa
a tua voz
pai.
guardo-ta na letra
cúmplice
do poema.
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2.
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nesta época de irmos
ao musgo
impões-te mais.
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vamos até às bermas da cidade
andando
comentando folhas cascas
de árvores
raízes
— poemas.
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e quando a água escorreu
por encostas pequenas
damos o salto
— rara a vez que não me
encharco de lama —
e toca a guardar o tapete
verde
nas sacolas previdentes.
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nesta época
de irmos ao musgo
confia, pai:
desta vez, faço-te eu o presépio.
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3.
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agora que estás por aí
em perspectiva
bem sei que entendes
as quilhas e esquinas
que sei bem.
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4.
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guarda-me o passo
o abraço a compaixão
protege-me os gestos
os actos e os silêncios
mas, sobretudo, acima de tudo
guarda-me inteira
intensa e plena voz
a minha voz
para poder
sempre que eu queira
chamar-te pai.
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maria toscano
Coimbra, 12 Dezembro/2010.
Restaurante-Pizzaria "Allô Pizza".
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2 comentários:

JOSÉ RIBEIRO MARTO disse...

Belo poema este de evocação... Belo ,e uma lágrima veio ao lembrar-me do meu pai , não nestas andanças de presépio, noutras , corre , pedela nessa bicicleta , vê-se me apanhas ... E zás , apanhava-o mesmo!
U grande abraço de bom ano !

Maria Toscano disse...

Bem Hajassss, Zé! Dessas Memórias se faz a nossa Vida tmbém. nada nem ninguém no-las pode tirar. Boas Festas e Melhor Ano 2011 para ti e tuas meninas :-) mt

já de abalada? ande cá! corra a cuartina de riscas e sente-se aí no mocho (no canapé? é melhor nã, nã seja que as preguetas lhe dêem cabo da roupa).
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faz calôrê nã? é tempo dele! no cântaro hai água fresquinha! e se quiser entalar alguma coisaaaa... a asada das azeitonas está chêinha, no cesto hai bobinha e papo-secos (com essa chôriça... ou com o quêjo de cabra, iiiisso!, nessa seladêra de esmalte!);
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chegue-se à mesa! - cuidado não lhe rebole a melancia para cima dos dedos do péi... assim... - entã nã se está melhórê?
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nã, nã, agora nã vai máinada! estou a guardar-me pra logo... ora na houvera de sêri! ah! já lhe dê o chêro! pois é: alhos e coentros e um nadica de vinagrê... vem aí do alguidar de barro... sim, sã nas carnes prá cêa.
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como nã sê o que o trouxe cá, forastêro, ‘stêja nesta sulmouradia como à da sua: pode ir mirando os links ("do monte"; "olivais..."; "deste planAlto..."; estas é que são...") os montes de que gostamos; pode ir vendo os posts por data ou esprêtando as nossas etiquêtas
("portados"); ou pode ir passando os olhos só pelos mais recentes.
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ah! repare lá que por estes lados nã temos o hábito de editarê todos os dias - não é um blogue-diário, 'tá a vêri?; pensámo-lo antes como sendo uma espécie de blogue-testemunho das vozes do Sul (o de cá e os Suis todos); mas temos ainda muito qu'arengar... vamos lá chegando, n'éi? devagarê, que o sol quêma!
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