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terça-feira, maio 16, 2006

virás

.
.
.virás
.descalço
.por certo
.marcando a espuma com teu passo de areias.
.virás
.na espuma
.nas algas
.na vaga nova a serpentear
.sem redes
.a serpentear, era prateada da fartura
.liberta de escamas, nova era
.onda – toda – de sustento de conduto.
.
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.virás, por certo sustento da onda
.brilho ao sol e ao luar. virás. virás.
.pela viva veia do primeiro momento
.onde bebemos a força o vinho A Fala.
.virás, maré ansiada no cais do outono
.rota de esperas desatando o esperar
.roca da água fiando o sal no molhe
.remanso aguado a namorar gaivotas
.virás descalço, por certo, leme da onda
.mover seguro sinal guia da escarpa
.mover seguro do sentir querido
.virás, por certo, sustento do conduto.
.
.
.as areias irão reunir-se à pressa
.frágeis e temerárias com teu passo.
.logo, a espuma verde confiante
.estende, serena, teu lanço sem borda
.- porque, decerto, virás na fartura
.a serpentear na fartura prateada
.
.
.nem sete nem setenta mil e sete vezes
.medirão o pulsar
.a teu passo de areias:
.virás, eternamente (por certo),
.fartura prateada a fervilhar
.leme sem casco, rombo sem redes
.convés da vinda pressentida
.virás, conduto do alimento
.milagre dos peixes a navegar
.
.
.virás descalço remanso aguado
.
.
.ao encontro eterno do meu estar deslumbrado
.sendo o que sou, fui e, por certo, serei
.
.
.talvez a malga da profecia
.talvez a mágoa
.tempero da saliva, sábia intrepidez
.talvez a maga, por certo
.eternamente
.eternamente, por certo: eu, o teu pão.
.
.
.maria toscano
.Coimbra, Café santa Cruz, 26 Nov/2003.

4 comentários:

al-jib disse...

aqui sim.
aqui estou no meu ambiente predilecto.
a areia do deserto - ( POESIA ) - onde bebo a água/vida.

( um abraço de Hellicon, ó musa asada! )

voltarei amanhã, se a sede me apertar ...

S Guadalupe disse...

já está respondido...

mouradia disse...

belas vozes
belas visitasssssssss
sempre o meu abraço graTo...
:-)

Anónimo disse...

Interesting website with a lot of resources and detailed explanations.
»

já de abalada? ande cá! corra a cuartina de riscas e sente-se aí no mocho (no canapé? é melhor nã, nã seja que as preguetas lhe dêem cabo da roupa).
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faz calôrê nã? é tempo dele! no cântaro hai água fresquinha! e se quiser entalar alguma coisaaaa... a asada das azeitonas está chêinha, no cesto hai bobinha e papo-secos (com essa chôriça... ou com o quêjo de cabra, iiiisso!, nessa seladêra de esmalte!);
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chegue-se à mesa! - cuidado não lhe rebole a melancia para cima dos dedos do péi... assim... - entã nã se está melhórê?
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nã, nã, agora nã vai máinada! estou a guardar-me pra logo... ora na houvera de sêri! ah! já lhe dê o chêro! pois é: alhos e coentros e um nadica de vinagrê... vem aí do alguidar de barro... sim, sã nas carnes prá cêa.
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como nã sê o que o trouxe cá, forastêro, ‘stêja nesta sulmouradia como à da sua: pode ir mirando os links ("do monte"; "olivais..."; "deste planAlto..."; estas é que são...") os montes de que gostamos; pode ir vendo os posts por data ou esprêtando as nossas etiquêtas
("portados"); ou pode ir passando os olhos só pelos mais recentes.
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ah! repare lá que por estes lados nã temos o hábito de editarê todos os dias - não é um blogue-diário, 'tá a vêri?; pensámo-lo antes como sendo uma espécie de blogue-testemunho das vozes do Sul (o de cá e os Suis todos); mas temos ainda muito qu'arengar... vamos lá chegando, n'éi? devagarê, que o sol quêma!
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