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quarta-feira, outubro 25, 2006

branco da casa, maria toscano (guia 1)

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1

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pelo encantamento, essa mulher.

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pelo enternecimento, voz pulsada a sangue, à mão.

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pela austera brava marcha, filão da Luta olhar aceso pelo tempo, corpo – agora – ileso.

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pelo encantamento, essa mulher.

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toada primitiva e a caminho. ombreira em movimento, cama lavada rossio – pedonal, mediterrânico, índio, tribal –.

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pelo encantamento, falo. da mulher.

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tem um caso sério com toda a causa humana, é um caso muito sério – do humano –.

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essa mulher.

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apresentas-te ao portão. roças o batente, tocas a campainha, chamas plo nome, bates palmas, assobias, sem ousar o trilho branco da casa.

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pela alameda clara cheira-te à madeira ao ananás, a sucos de memórias, vinhos a risos, brincadeiras e sustos incabíveis em relatos, em molduras. pela entrada da alameda ecoam aves, silvos esvoaçam rosas, palmeiras, dálias frondosas laranjas rolam-se em passadeiras doces assomam olhitos negros, caracóis louros morenos ombros mouros, mäos de mil dedos carnudos lábios da seiva que faz a sede de água cálidas frases, palavras estremosas - pela alameda que o portão franqueia à entrada.

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tem um caso com a bravura muito sério com a ternura. é um caso muito sério do mundo essa mulher.

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sem ousares o trilho branco da casa alguma folha estalará. aqui e ali, uma pedra em banco te aguarda a moeda de ouro benzida pela cigana uma vela, a meio de ardida, o jarro da água a almofada tosca, de alfazema a túnica lisa pousada ao lado das sandálias e da taça onde a maçã se serve com passas e romãs.

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sem ousares o trilho branco da casa a cor, simplesmente, reconheces à tua volta, a amendoeira em flor. sem ousares o trilho branco da casa de perfil, avista os cereais de onde a floresta antiga se assegura que a lonjura do areal – outra alameda –te conduza ao oceano em mar.

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maria toscano

«branco da casa» (Bètera, Txalapartak (Valência), 31 julho a 6 agosto; e Madrid, 7 agosto de 2003.

- fragmento do livro inédito «resguardo das Esfinges.declinações do Branco».

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4 comentários:

Elísio Estanque disse...

Olá Fátima,
Parabens pelo teu blogue! que desconhecia. Não há dúvida que temos muitas afinidades estéticas...
Beijinhos
EE

mouradia disse...

cá se fazem cá se pagam...
:-)))

bjsssss
mt

gabriela r martins disse...

amanhã levo.a ,assim ,para a Casa Museu

um beijo!

( combinei com dois Amigos que a conhecem ... de outras paragens mais a sul ... agora só um nome ... Silvestre Raposo ... e? )

sulmoura disse...

?!
só Boas Novasssssssssssssss (e eu despistada... a pensar, a pensar... ainda bem que não sou alentejana nem mulher, senão ia demorar muito mais...)
a sério: Silvestre... é do Porto?
mais a Sul? Porto é mais a Norte... pois...
:-(
«quêins serãoue» (ler á puârto)

e leva? Gabriela, não sei se percebi, mas confio: LEVE! e eu GraTa re-re-re-fico
(mistériossssss!)

:-)

bjssss, Bem haja pelas suas visitas e sempre motivadoras Palvras, Actos (e Omissões, já agora...para deixar alguma frase de jeito neste comentário...)
:-)
Abraço!

já de abalada? ande cá! corra a cuartina de riscas e sente-se aí no mocho (no canapé? é melhor nã, nã seja que as preguetas lhe dêem cabo da roupa).
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faz calôrê nã? é tempo dele! no cântaro hai água fresquinha! e se quiser entalar alguma coisaaaa... a asada das azeitonas está chêinha, no cesto hai bobinha e papo-secos (com essa chôriça... ou com o quêjo de cabra, iiiisso!, nessa seladêra de esmalte!);
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chegue-se à mesa! - cuidado não lhe rebole a melancia para cima dos dedos do péi... assim... - entã nã se está melhórê?
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nã, nã, agora nã vai máinada! estou a guardar-me pra logo... ora na houvera de sêri! ah! já lhe dê o chêro! pois é: alhos e coentros e um nadica de vinagrê... vem aí do alguidar de barro... sim, sã nas carnes prá cêa.
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como nã sê o que o trouxe cá, forastêro, ‘stêja nesta sulmouradia como à da sua: pode ir mirando os links ("do monte"; "olivais..."; "deste planAlto..."; estas é que são...") os montes de que gostamos; pode ir vendo os posts por data ou esprêtando as nossas etiquêtas
("portados"); ou pode ir passando os olhos só pelos mais recentes.
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ah! repare lá que por estes lados nã temos o hábito de editarê todos os dias - não é um blogue-diário, 'tá a vêri?; pensámo-lo antes como sendo uma espécie de blogue-testemunho das vozes do Sul (o de cá e os Suis todos); mas temos ainda muito qu'arengar... vamos lá chegando, n'éi? devagarê, que o sol quêma!
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