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quarta-feira, julho 23, 2008

"Se eu pudesse iluminar por dentro..." - José Gomes Ferreira

"Se eu pudesse iluminar por dentro as palavras de todos os dias"
(O soneto que só errado ficou certo)
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Se eu pudesse iluminar por dentro as palavras de todos os dias
para te dizer, com a simplicidade do bater do coração,
que afinal ao pé de ti apenas sinto as mãos frias
e esta ternura dos olhos que se dão.
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Nem asas, nem estrelas, nem flores sem chão
- mas o desejo de ser a noite que me guias
e baixinho ao bafo da tua respiração
contar-te todas as minhas covardias.
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Ao pé de ti não me apetece ser herói
mas abrir-te mais o abismo que me dói
nos cardos deste sol de morte viva.
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Ser como sou e ver-te como és:
dois bichos de suor com sombra aos pés.
Complicações de luas e saliva.
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3 comentários:

Victor Oliveira Mateus disse...

Uff! depois de um périplo terrível, acho que cheguei finalmente ao sítio que queria.
Pois bem, vou dizer:
a)parabéns por este poema do Zé Gomes Ferreira;
b)vou um poeta que me influenciou
muito;
c)apresentaram-mo 1/2 anos antes de ele morrer: ele apertou-me a mão como quem o faz a mais um, eu apertei a dele extasiado. Lembro-me da mão dele "sapuda", ele já a andar com muita dificuldade... Que bom, Fátima, por me fazeres lembrar tudo isto! Um beijo.

vaandando disse...

do poeta militante!
militantemente

Zé Marto

sulmoura disse...

Vitor!!!! Bemvindo! Ainda bem que te fiz ter boas recordações (JGF) e lamento que tenhamos essas outras saudades. Deve ser isso que significa a tão "batida" frase: Os tempos mudam. Camões? ai, ai, ai, nada de misturas! :-) bêjus (à Sul);
Zé: vai-te lá andando e nã te pares muito por cá que os tempos são mesmo de férias :-) bêjussss!

já de abalada? ande cá! corra a cuartina de riscas e sente-se aí no mocho (no canapé? é melhor nã, nã seja que as preguetas lhe dêem cabo da roupa).
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faz calôrê nã? é tempo dele! no cântaro hai água fresquinha! e se quiser entalar alguma coisaaaa... a asada das azeitonas está chêinha, no cesto hai bobinha e papo-secos (com essa chôriça... ou com o quêjo de cabra, iiiisso!, nessa seladêra de esmalte!);
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chegue-se à mesa! - cuidado não lhe rebole a melancia para cima dos dedos do péi... assim... - entã nã se está melhórê?
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nã, nã, agora nã vai máinada! estou a guardar-me pra logo... ora na houvera de sêri! ah! já lhe dê o chêro! pois é: alhos e coentros e um nadica de vinagrê... vem aí do alguidar de barro... sim, sã nas carnes prá cêa.
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como nã sê o que o trouxe cá, forastêro, ‘stêja nesta sulmouradia como à da sua: pode ir mirando os links ("do monte"; "olivais..."; "deste planAlto..."; estas é que são...") os montes de que gostamos; pode ir vendo os posts por data ou esprêtando as nossas etiquêtas
("portados"); ou pode ir passando os olhos só pelos mais recentes.
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ah! repare lá que por estes lados nã temos o hábito de editarê todos os dias - não é um blogue-diário, 'tá a vêri?; pensámo-lo antes como sendo uma espécie de blogue-testemunho das vozes do Sul (o de cá e os Suis todos); mas temos ainda muito qu'arengar... vamos lá chegando, n'éi? devagarê, que o sol quêma!
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