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quarta-feira, janeiro 26, 2011

tríptico

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a.
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a mãe
desce as escadas com a bébé
ao colo
a mais velha
brinca no tapetão de ovelha
acamado sobre os ladrilhos vermelhos
boneca de trapos
cavalinho de madeira
meadas de lã
gato e gata
— uma harmonia perfeita
de inocência e candura
uma inteira brincadeira.
apesar dos fios enleados
apesar dos lios
dos pêlos de felinos e
da desarrumação às cores
por baixo de mesa
e cadeiras.
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a mãe
com a bébé ao colo
sorri.
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aproxima-se
— a mãe com a bébé ao colo —
e senta-se, cuidadosa,
ao lado da mais velha.
a barriga do gato
depois de uma cambalhota
roça-lhe, de propósito,
o joelho.
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a mais velha
embora já ande bem
gatinha, melosa,
para vir dar colo à bébé.
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assim se inicia
a época do Natal
enquanto o pai não chega
das compras-surpresa
para todas.
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assim se vive
o espírito do Natal.
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que maior harmonia
pode
alguém na vida
desejar?
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b.
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astrais
enormes
os olhos das meninas
saboreiam as prendas.
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abraçadas às bonecas
ao papel e aos laços
amarelos
brilhantes
as meninas estão felizes.
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são elas
as nossas guias
pela esperança.
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e o mundo inteiro
abraça, grato,
a estas e todas
as meninas
brilhantes
com olhos e coração
enormes. astrais.
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c.
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pela vida fora
levaremos
o tinir
dos sininhos
de imaginárias renas
de improváveis Magos
de impossíveis barbas
brancas
pontuais ao minuto,
a descer pela chaminé.
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pela vida fora
levaremos?
trazemos.
ou não fora
esta
a época do nascimento
do real menino
nascido em palhinhas fabulosas
para governar
o mundo
real
do Bem e do Mal.
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maria toscano
Coimbra, Café Tropical
20 Dezembro/2010
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2 comentários:

JOSÉ RIBEIRO MARTO disse...

A tua nota de esperança está sempre presente , é impossível separá-la da tua arte . Eu com filha ainda pequena e sempre a perguntar-me por que razão eu digo que o mundo é feio nem sei que fazer ... Vou tentando , ...
Um abraço

_________ zé

Maria Toscano disse...

:-) Bem Hajas!
se não temos ESPERANÇA, não estamos cá a fazer nada nem sequer a escrever, certo?
:-)
beijinhos, Irmão da Esperança e do SORRISO!
mt

já de abalada? ande cá! corra a cuartina de riscas e sente-se aí no mocho (no canapé? é melhor nã, nã seja que as preguetas lhe dêem cabo da roupa).
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faz calôrê nã? é tempo dele! no cântaro hai água fresquinha! e se quiser entalar alguma coisaaaa... a asada das azeitonas está chêinha, no cesto hai bobinha e papo-secos (com essa chôriça... ou com o quêjo de cabra, iiiisso!, nessa seladêra de esmalte!);
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chegue-se à mesa! - cuidado não lhe rebole a melancia para cima dos dedos do péi... assim... - entã nã se está melhórê?
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nã, nã, agora nã vai máinada! estou a guardar-me pra logo... ora na houvera de sêri! ah! já lhe dê o chêro! pois é: alhos e coentros e um nadica de vinagrê... vem aí do alguidar de barro... sim, sã nas carnes prá cêa.
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como nã sê o que o trouxe cá, forastêro, ‘stêja nesta sulmouradia como à da sua: pode ir mirando os links ("do monte"; "olivais..."; "deste planAlto..."; estas é que são...") os montes de que gostamos; pode ir vendo os posts por data ou esprêtando as nossas etiquêtas
("portados"); ou pode ir passando os olhos só pelos mais recentes.
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ah! repare lá que por estes lados nã temos o hábito de editarê todos os dias - não é um blogue-diário, 'tá a vêri?; pensámo-lo antes como sendo uma espécie de blogue-testemunho das vozes do Sul (o de cá e os Suis todos); mas temos ainda muito qu'arengar... vamos lá chegando, n'éi? devagarê, que o sol quêma!
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