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sábado, maio 07, 2011

O Pátio — aproximações

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primeira

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neste Pátio

agora silencioso

repousam

lancinantes

dores humanas

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serão as do susto, serão as do medo

as do segredo e as da fraternidade

serão as humanas dores do corpo humano

serão as dores

silenciosas dores humanas.

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neste Pátio

agora silencioso

resguardemos

ciosos

as dores humanas.

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serão as do verdugo

as da pergunta

da renúncia

forçada

e as do rogo

serão as dores humanas

fogo e ferida

tortura escabrosa

discurso odioso

serão as dores

silenciosas

dores humanas

que se resguardam

e repousam

neste Pátio.

em nada, senão no nome

se recordam.

belas pedras

polidas acolhedoras

álea finíssima

de um banco acompanhada

— grande banco para conversas

.....para esperas

.....banco de encontro repouso contemplação

.....banco de pausa para outros labores humanos.

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neste Pátio

agora silencioso

repousaremos

entre a memória e o perdão.

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neste Pátio

onde, agora, silencioso

reina a tríplice cozedura do humano.

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neste Pátio.

agora: poderoso.

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segunda

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também de pedra

é a memória

deste Pátio:

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rasa no chão

sóbria na pausa

coluna encantada

arco passagem

moída puída

puída escada

puída, a alvenaria

persistente

pois de memória / também esta pedra / é habitada.

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também de memória

é a pedra deste Pátio:

pois a luz

entre a arcada e a réstea

rude

sublinha o movimento

intenso intenso

que faz da pedra

a imponência

onde o hoje se lavra.

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também de pedra

é a memória

deste Pátio

branco brancura límpida

serena

reluz em ombreiras em ferros e

sacadas

.

também de pedra

é a memória

deste Pátio.

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ténue poeira transluz ao respirar

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o dia pousa o calor

pousa o olhar

e assim

na memória

suspira a pedra

deste Pátio.

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maria toscano

Coimbra, Pátio da Inquisição, 16 Setembro/2003

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terceira

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para o banco corrido ao rés-da-pedra

sonhou, o construtor, destinos vários:

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um descanso quando a idade já medra.

uma pausa — ou o almoço — de operários.

a agonia sentada e a solidão

de um lancinante adeus dito à distância.

destemida pirralhice da infância.

a mochila para a capoeira e a lição.

mapas por mãos turistas desdobrados.

um cigarro no entretanto fumado.

dois anjinhos e a térrea catequista.

a paragem na febre consumista.

encontros de estudantes ou namorados —

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sonhou, o construtor, doces conquistas.

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sonhou: mil, os recantos, que tu habitas.

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maria toscano

Coimbra, Pátio da Inquisição, 16 e 30 Setembro/2003

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2 comentários:

Marceli disse...

Adorei seu blog!

Bom fim de semana,

Marceli
http://dicadelivro.com.br/

Maria Toscano disse...

Bem Haja! Excelente a sua página! Boa continuação neste caminho pelos livros! mt, Grata!

já de abalada? ande cá! corra a cuartina de riscas e sente-se aí no mocho (no canapé? é melhor nã, nã seja que as preguetas lhe dêem cabo da roupa).
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faz calôrê nã? é tempo dele! no cântaro hai água fresquinha! e se quiser entalar alguma coisaaaa... a asada das azeitonas está chêinha, no cesto hai bobinha e papo-secos (com essa chôriça... ou com o quêjo de cabra, iiiisso!, nessa seladêra de esmalte!);
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chegue-se à mesa! - cuidado não lhe rebole a melancia para cima dos dedos do péi... assim... - entã nã se está melhórê?
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nã, nã, agora nã vai máinada! estou a guardar-me pra logo... ora na houvera de sêri! ah! já lhe dê o chêro! pois é: alhos e coentros e um nadica de vinagrê... vem aí do alguidar de barro... sim, sã nas carnes prá cêa.
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como nã sê o que o trouxe cá, forastêro, ‘stêja nesta sulmouradia como à da sua: pode ir mirando os links ("do monte"; "olivais..."; "deste planAlto..."; estas é que são...") os montes de que gostamos; pode ir vendo os posts por data ou esprêtando as nossas etiquêtas
("portados"); ou pode ir passando os olhos só pelos mais recentes.
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ah! repare lá que por estes lados nã temos o hábito de editarê todos os dias - não é um blogue-diário, 'tá a vêri?; pensámo-lo antes como sendo uma espécie de blogue-testemunho das vozes do Sul (o de cá e os Suis todos); mas temos ainda muito qu'arengar... vamos lá chegando, n'éi? devagarê, que o sol quêma!
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