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segunda-feira, maio 07, 2012

correios — 23. ou 'e agora nós'


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e agora nós:
venho-te dizendo, fazem milénios, da candura de uma asa aberta, da lisura de uma mão estreitada noutra mão, do cálido encontro de um ombro gelado com um seio morno. venho-to dizendo e não me cansarei de o repetir, dado ser minha condição esta tarefa de falar do mesmo falando do mesmo com outros modos e de outras latitudes o que, em linguagem do século vinte e um, pode traduzir-se por: outros referentes e media.
venho-te dizendo ­— meu amor único, pois íntimo ­— venho-to desenhando no écran dos correios e nas cores de cada poema que te envio, venho-to cantando nos conhecidos fados e cantigas a invadirem o ar, venho-to desejando durante os meus votos de sonhos ou sono acordado, venho-to indicando em cada passada de 36 (confere com metro e meio de altura) curtinha mas seguríssima — desculpa a desfaçatez mas, ante um ego tão egóico, é-te difícil até admitir, quanto mais reconhecer que, como a Amália cantava, ‘há quem nasça pequenino pra cumprir um grande fado’.
venho, em suma, -TO.
nesta hora das nossas vidas, curtas mais do que breves — breve remete para abreviar, encurtar e, no nosso caso, foi-nos lançado, ou lançámo-nos, o desafio de assegurar, continuar, fecundar, semear, luzir, até pela palavra como agora tento eu louvar a vida onde pouso e por onde me estou tecendo — nestas horas das nossas curtas vidas, de novo e mais uma vez, venho, apenas, lembrar-te
pousa o coração na nascente de cada frase.
acolhe o lírio dourado que te roça a vidraça.
abre, serenamente, mão da alheia invernia.
despede-te da dor em bicos de pés para vires fazer a sesta a meu lado.
anda sempre amparado da tua profunda ternura.
ama-te eternamente, como eu te amo a ti.
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maria toscano.
praia da Tocha, na ‘Casa do Castelo’, 7 Maio / 2012.
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2 comentários:

Benó disse...

Passei por aqui. Entrei sem pedir permissão. Sentei-me, observei, li e gostei. Muito.
Daqui, uma moura do sul vai seguir outra.

Maria Toscano disse...

e como estou a responder / gerir os comentários. Muito obrigada! Bem -Vinda! VOLTE SEMPRE! (e desculpe o tempo... que passou!) abraço! mt

já de abalada? ande cá! corra a cuartina de riscas e sente-se aí no mocho (no canapé? é melhor nã, nã seja que as preguetas lhe dêem cabo da roupa).
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faz calôrê nã? é tempo dele! no cântaro hai água fresquinha! e se quiser entalar alguma coisaaaa... a asada das azeitonas está chêinha, no cesto hai bobinha e papo-secos (com essa chôriça... ou com o quêjo de cabra, iiiisso!, nessa seladêra de esmalte!);
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chegue-se à mesa! - cuidado não lhe rebole a melancia para cima dos dedos do péi... assim... - entã nã se está melhórê?
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nã, nã, agora nã vai máinada! estou a guardar-me pra logo... ora na houvera de sêri! ah! já lhe dê o chêro! pois é: alhos e coentros e um nadica de vinagrê... vem aí do alguidar de barro... sim, sã nas carnes prá cêa.
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como nã sê o que o trouxe cá, forastêro, ‘stêja nesta sulmouradia como à da sua: pode ir mirando os links ("do monte"; "olivais..."; "deste planAlto..."; estas é que são...") os montes de que gostamos; pode ir vendo os posts por data ou esprêtando as nossas etiquêtas
("portados"); ou pode ir passando os olhos só pelos mais recentes.
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ah! repare lá que por estes lados nã temos o hábito de editarê todos os dias - não é um blogue-diário, 'tá a vêri?; pensámo-lo antes como sendo uma espécie de blogue-testemunho das vozes do Sul (o de cá e os Suis todos); mas temos ainda muito qu'arengar... vamos lá chegando, n'éi? devagarê, que o sol quêma!
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