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domingo, dezembro 10, 2006

Cantiga de amigo ou cantiga de mágoa, José Ribeiro Marto

Os meus cabelos longos, lavo lavo .

Águas de espera correndo, .trago trago .

Duas águas tidas, escorro, lavo lavo .

Os meus olhos caídos pedindo trago. .

.

Às aves que partem peço e digo .

Uma nova vinda, um silêncio amigo! .

Um piar chegando, um silêncio guardo .

Um piar partindo, um silêncio trago. .

.

Os meus olhos longos, estendendo estendo .

O silêncio dia, o chegar bailando .

Estas aves nuas, voando, a chegar voando .

Estas aves tuas, chegando a voar chegando. .

.

Ai, as minhas mãos, as tuas tocando .

Ai, as minhas mãos, as tuas trocando. .

.

E as águas das rias, espelhadas e frias .

O luar de volta, o crescer da lua .

Esta morte - ao longe .

Esta ausência - a tua. .

.

Ai, o piar das aves caíndo no vento .

Ai, o piar das aves de ausência antiga. .

.

São de ave aflita, de piar que grita .

São de ave amiga, de piar aflita..

.

José Ribeiro Marto, 1992

5 comentários:

al-jib disse...

pois é ... há gente com muita sorte

não!

há gente que a merece e a constrói



um beijo!

mouradia disse...

Bem Haja plo comentário! o "Zé Marto" - como conhecido entre amigos - foi meu colega de estudos e Lisboa; aí vive hoje, com a família; e venho insistindo há...há 10, não! 12 ou 13 anos! para ele publicar, porque escreve belissimamentÉrrimamente
prosa e poesia...
a ver se ele se entusiasma...
mas tb é verdade que nem só no papel vive a Fala
:-)

bjssss

Paula disse...

Continua a poetar, Zé, por favor, para a minha alma continuar a sorrir.
Um abraço.
Maria Paula Marques

sulmoura disse...

Bem Vinda, Paula!
Obrigada, Zé, por trazeres cá Amiga/os!
Voltem sempre!
Bem Hajam!

Anónimo disse...

Pela voz da tradição até à "própria voz", sei que o Zé Marto ganhará esse caminho.Para bem de todos. Para bem da poesia.

Para ele, pois, um grande abraço da
Celeste

já de abalada? ande cá! corra a cuartina de riscas e sente-se aí no mocho (no canapé? é melhor nã, nã seja que as preguetas lhe dêem cabo da roupa).
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faz calôrê nã? é tempo dele! no cântaro hai água fresquinha! e se quiser entalar alguma coisaaaa... a asada das azeitonas está chêinha, no cesto hai bobinha e papo-secos (com essa chôriça... ou com o quêjo de cabra, iiiisso!, nessa seladêra de esmalte!);
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chegue-se à mesa! - cuidado não lhe rebole a melancia para cima dos dedos do péi... assim... - entã nã se está melhórê?
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nã, nã, agora nã vai máinada! estou a guardar-me pra logo... ora na houvera de sêri! ah! já lhe dê o chêro! pois é: alhos e coentros e um nadica de vinagrê... vem aí do alguidar de barro... sim, sã nas carnes prá cêa.
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como nã sê o que o trouxe cá, forastêro, ‘stêja nesta sulmouradia como à da sua: pode ir mirando os links ("do monte"; "olivais..."; "deste planAlto..."; estas é que são...") os montes de que gostamos; pode ir vendo os posts por data ou esprêtando as nossas etiquêtas
("portados"); ou pode ir passando os olhos só pelos mais recentes.
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ah! repare lá que por estes lados nã temos o hábito de editarê todos os dias - não é um blogue-diário, 'tá a vêri?; pensámo-lo antes como sendo uma espécie de blogue-testemunho das vozes do Sul (o de cá e os Suis todos); mas temos ainda muito qu'arengar... vamos lá chegando, n'éi? devagarê, que o sol quêma!
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