Central Blogs
. Licença Creative Commons
sulmoura de Maria Toscano está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em http://sulmoura.blogspot.pt/.
Mostrar mensagens com a etiqueta de José Ribeiro Marto - poemas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta de José Ribeiro Marto - poemas. Mostrar todas as mensagens

domingo, julho 12, 2009

imperdível! - Livro de José Ribeiro Marto

.
.
.
.
.
.
Foi no dia 20 de Junho que 
"Pastoreio" 
de José Ribeiro Marto 
foi lançado em livro: 
.
os meus Parabéns públicos ao Autor!
.
um grande Abraço à grande Amiga Graça Vasconcelos !
outro abraço ao Melim!
e 
um abraço também para o X Z!   :-)
.
e
o meu Cumprimento 
a Celeste Lima de Freitas na esperança de um dia nos conhecermos.
.
agora que já "aterrámos" mesmo, 
fomos ao blogue do autor (aqui) e roubámos-lhe estes convite e foto.
portanto,
assumimos o roubo.
:-)
créditos da foto? desconhecemos o autor (o Mário? será? )
ehehehe.
mt.
.

domingo, fevereiro 01, 2009

resposta ao repto da Mª Gabriela na sequência do repto da Maria Gomes

.
.
pode ler-se:
.
.
.
"resposta ao repto da Maria Gomes
respondendo ao repto que me foi lançado pela Maria Gomes do blogue "Romã [A] de Vidro", transcrevo a 6ª linha, na página 161, de um romance histórico de ken follett ,
"os pilares da terra", vol II .depois ,se o engenho me ajudar ,tentarei escrever algo...
.
.
mas antes, remeto o convite para esta ciranda à Maria Toscano ,à Mateso ,ao João Rasteiro e ao Luís Costa .
leiam ,por favor ,a 6ª linha da página 161 do livro que estiver mais próximo de vós, transcrevam-na e… escrevam.
.
.
[...]pancada que o atirou pelo ar. O cão foi aterrar como um saco de ossos.[...]"
.
.
.
agora, vamos aqui à 6.ª li da p. 161... de... ?
.
.
.
João Barrento, "Na Dobra do Mundo. Escritos Llansolianos". Mariposa Azual, 2008.
.
.
.
!!!!!!!!
?????
.
.
.
isto é "inscrevível!" e passo a citar:
.
.
.
(...) e num saber que são constitutivamente intrínsecos do histórico" *
.
.
.
.   .   .
.
.
(riscos escritos na sequência do repto)
.
.
.
(...) e num saber que são constitutivamente intrínsecos do histórico" *
.
é do lamber mais sinuoso
íntimo de tão físico
que as teses e os ensejos aprendem
a saber o desejo.
.
.
.
.
.
do mínimo e devastador limbo da pele, sorvo de espuma a ferver
em verso
em carne ao vivo
fractura exposta do que intensamente
vibra e
volta a gemer-
se. a si.
.
.
.
é desse miolo requebrando uns lábios finos
nos lábios fortes do abrir
no abrir da tua veia 
vinco imanente da exaustão brava
.
.
do milagre da conversão do nervo em sémen
do milagre da gestação do instante
desse milagre
fulminante
apartando os ácaros da prosa
refulge a fala a lavra 
a lava
em uni/verso  "e num saber 
que são constitutivamente intrínsecos do histórico"
poema à mão.
.
.
.
.
* in João Barrento, Na Dobra do Mundo. Escritos Llansolianos.
Mariposa Azual, 2008. .
.
.
.
maria toscano, Coimbra, 1 fevereiro/2009
.
e....
passo o repto para o José Ribeiro Marto, o Augusto Mota, o Vitor Oliveira Mateus e...
a Maria Azenha
(eh eh eh!)
.
(uf...)
.
mt

segunda-feira, outubro 20, 2008

Talvez o vinho traga... - José Ribeiro Marto

. .
Talvez o vinho traga
da pedra
o cheiro da erva
e o vento das encostas.
Talvez o vinho traga
do gado
o olhar fundo e bravio
e se sonhe água fria e breve,
nuvem vinda lá do rio.
Talvez o vinho traga
das laranjeiras
o porte das raizes
fundas e tardias.
E mouras
de guerras brandas
descalças todos os dias
chorem demoradas nas estradas
o silêncio do gado ausente
em pranto ou alegria.
Talvez o vinho traga
outras guerras
outros véus.
Talvez o vinho traga
das laranjas
maio e chuva
e prenda à cercania
o olhar do próprio gado
e descalças estas mouras
sonhem água farta e fria
talvez o vinho guarde
do olhar mouro as espadas
e do cristão as mesmas armas.
.
de O longínquo privar dos dias (Inédito).
.

terça-feira, setembro 09, 2008

Canção - "Todos os dias", José Ribeiro Marto

.
.
.
Todos os dias ...
Nesta hora que desfaço
Vens antiga, vens de abraço.
.
Todos os dias ....
Nesta hora que desfaço
Vens amiga, vens de aberto abraço.
.
Todos os dias
Nesta hora que desfaço
Vens de medo
E é de sede a tarde.
.
Todos os dias ...
Em ondulação de voz com água
Eu desfaço a minha sede
Mato os nós da minha mágoa. .
.
.
José Ribeiro Marto, in " O longínquo privar dos dias" (inédito)
.

domingo, setembro 23, 2007

roubei um auto-retrato ao José R Marto - digam lá: não é belo?

auto-retrato de José R Marto
(escrita automática, aqui num comentário deste blogue que não resisti a trazer «à tona»)
.
um vadio terno e irónico
sisudo de lágrima fora,
triste por riso quando está por dentro a véspera que se demora. sou eu um vagar e uma manhãum risco, ou um traço uma palavra que aberta arda no calor das mãos o sumo de uma laranja ou bago de romã

terça-feira, setembro 11, 2007

Um farol - de José R Marto

É um coração de poeta
o que dardeja de Sol
na escuridão incerta
de um mundo sempre de véspera.
.
É um coração de mãos
que almeja mundos
unindo esferas e cometas
qual farol feito planeta
qual luz feita poeta.
.
José R Marto, Janeiro de 2007
.

Talvez o vinho traga... - outra pérola de José Marto

.Talvez o vinho traga
.da pedra
.o cheiro da erva
.e o vento das encostas.
.Talvez o vinho traga
.do gado
.o olhar fundo e bravio
.e se sonhe água fria e breve,
.nuvem vinda lá do rio.
.Talvez o vinho traga
.das laranjeiras
.o porte das raizes
.fundas e tardias.
.E mouras
.de guerras brandas
.descalças todos os dias
.chorem demoradas nas estradas
.o silêncio do gado ausente
.em pranto ou alegria.
.Talvez o vinho traga
.outras guerras
.outros véus. .Talvez o vinho traga .das laranjas .maio e chuva .e prenda à cercania .o olhar do próprio gado .e descalças estas mouras .sonhem água farta e fria .talvez o vinho guarde .do olhar mouro as espadas .e do cristão as mesmas armas.
.
José R Marto
.
(de O longínquo privar dos dias (inédito)
.

quinta-feira, junho 21, 2007

«O Som é vermelho...», de José Ribeiro Marto

.
.
.
O Som é vermelho
A lava é de água
.
.
.
A melância parte-se ,
mas come-se repartida;
tem o som vermelho
nos dedos adivinhado
num tom cantarolado,
a peso de água
ao sol festejado .
A melância parte-se
mas come-se repartida,
só assim tem sentido
se una apresentada
se una dividida.
.
.

sexta-feira, maio 18, 2007

Pastoreio,José R.Marto - Poesia1ºPremioLitterarius

Fui guardador de rebanhos sem flauta, sem outeiro
.
.com páginas colhidas nos livros a eito, em linhas altas lidas
.
.quando descansava o rebanho e a paisagem tinha escritas
.
.árvores ao sol, frutos ardidos, poeira de brisa, manga curta,
.
.camisa desfraldada
.
.eu, na sombra recolhido.
.
.
.
.Fui pastor de quase nada.
.no canto dos pardais revoadas, bicando o ar de linhas curvas
.nas largadas de pombos ao fim da tarde
.ou das rolas sobrelançadas, furando o céu, na declinada
.água ferida de redes, esvoaçando penas picavam linhas cinzentas,
.mosquiteiras
.sob o atarantado das borboletas vermelhas, verdes, azuis na
.presa dos rendilhados,
.desembaraçavam-se das grilhetas fechadas a puxão de espera,
.magra caça.
.Fui companheiro dos bichos que encontrava desirmanados em
.fugas desajeitadas,
.do lagarto escamado a verde e azul,
.da cobra serpentina preta num ápice engolida pelo feno,
.da lebre fugitiva e astuta à noite sob o trilo dos grilos
.ou da batuta da campainha das ovelhas.
.Fui guardador do mundo no chão das ovelhas
.presas por linhas que nos meus livros deixaram às vezes espaços
.de página em página,
.onde eu me lia e guardava num mundo lido alto; de tempo a
.tempos
.a passagem dos comboios, lentos, de horários certos, horas
.secretas
.do calor dos dias, na convocatória das madrugadas,
.de quando um rio horas a fio as alinhava,
.as abria por dentro filtradas a sol alto, baixo ou à ferida dos
.ventos,
.da capa que me protegia da água dos dias raros em que chovia.
.
.
.Guardei ovelhas,
.guardei as revoadas dos pombos no meu coração.
.Fiz as minhas viagens directas abandonando o meu fôlego de
.bicicletas, ardendo por
.dentro dos livros, onde recompunha escombros,
.unindo amiúde as quebras do mundo.
.Guardei ovelhas não guardei cabras,
.como meu irmão já muito mais velho Miguel Hernandez
.que fez tantas descobertas em horas tão incertas,
.numa Espanha de tempos muito antes dos meus.
.Hernandez morreu no cárcere sem ceder um traço na rebeldia
.dos versos
.de puxar as palavras do avesso
.de se afastar do terço.
.de se irmanar com as cabras que pastava em Orihuela.
.Guardei ainda mais rebanhos,
.guardei ainda mais ovelhas sendo outras ou as mesmas,
.quando os pastores fugiam em debandada de noite
.por sangrarem neles solidões
.nos longes dias, nas longas horas que havia no pastoreio do gado
.manso,
.na rebeldia dos ocasos em que o sol menos aquecia,
.o gado aproveitava e comia,
.o tempo em que andava pardo e comia.
.os pastores fugiam,
.como se de prisões de guardar do gado
.levavam a flauta de Marília ou de Elisa
.voltavam em mangas brancas de camisa
.festejando aparecimento, fazendo promessas:
.juravam a água, o sol, os frutos,
.juravam afeiçoamento às crias, pertencer à família
.queriam-se nos rituais do gado,
.na separação, no aprisco
.nos canjeirões de leite
.no fazer do queijo, um fruto nascido por suas interpostas mãos,
.liso, aceso,
.milagre do coalho ardido nas palmas árduas, nuas
.juravam por fim as geadas aos espelhos,
.saudavam, cumprimentavam de quem viesse a sua vaia mão
.apertar.
.Mas fugiam às solidões dos dias,
.ao fumo das neblinas das manhãs,
.ou à intrépida chuva,
.ao calor que a noite amealhava,
.ao pastoreio úbero logo no Outono.
.Corriam as estradas com assombro,
.iam as casas longínquas pedir água,
.veio o seio insinuado das raparigas, pedir-lhes compromisso de
.guerra,
.dos dias curtos de que estavam à espera,
.estudavam-lhes o cabelo,
.viam-lhes o manear das ancas,
.a escultura da perna.
.Bebiam água pelo púcaro, enchiam o cantil,
.enquanto outros dobravam assobios também à espera de uma
.madrinha mulher
.uma fada de dias ilesos
.que presos hoje ou presos depois
.se queixassem da condição escondida das mais altas solidões.
.eu fui pastor pequeno que levava recados maravilhados
.e trazia água, água,
.a água dos Invernos ou dos Verões que eles bebiam serenos.
.
.
.Os momentos amenos, a sede insegura, a água fresca, quase pura.
.
.
.Naquelas horas sem batida de relógio o coração a pulso,
.eu compreendia aquele mister,
.aquelas guardas de horas, como se o cavalo do tempo ficasse
.suspenso nos ares
.e a ele viessem pousar no dorso uma chuva de borboletas. .li-lhes as minhas letras de livros,
.alguns deles ouviam comovidos com os cajados fincados no chão,
.como se supensa ficassem a página,
.as surpresas, as desfeitas do formigar do amor, a incompreensão
.dos dias.
.A comunicação espalhada no chão
.onde laboravam formigas, o milhafre sob arco as via a pino,
.e em queda livre as devorava no montículo.
.Apenas uma ou outra ovelha se sobressaltava,
.soprava um ar de brisa deslassado.
.Alguns queriam ler, eram-lhes fáceis,
.as horas pediam-lhes entretém,
.jogavam pedras ao ar,
.desfiavam a contar glórias inúteis
.à noite andavam horas e horas a pé,
.à procura do destino de um café.
.Juravam vinganças vindouras e com vassouras exorcizavam
.os pés.
.Eram eles, os pastores, os pastores muito senhores de muita
.solidão,
.os pastores de casa de meu pai,
.os pastores de quem meu pai guardava distância de respeito
.consentido
.que dava folga ao domingo e me tirava as minhas corridas de
.bicicleta,
.a bola entre pés,
.os livros de página vincada,
.a procura das minhas belas, desejadas.
.e me tornava pastor,
.eu também era o pastor dos domingos
.eu era pastor de rebanhos de domingo
.como Miguel Hernandez muitos anos antes foi pastor de solidões.
.Eu não era pastor de solidões,
.eu tinha livros,
.eu aprendia o ofício dos dias,
.o mais puro ofício dos dias, a solidão de estar comigo.
.Fui o pastor de meu pai nas horas das aflições
.em que feitas previsões se dava o descanso aos pastores,
.em que se fechavam de amores inconfessáveis pelas madrinhas de
.guerra,
.pelas suas gratas madrinhas de guerra,
.as madrinhas de guerra que pensavam
.ter solidões de muitas esperas, agora as do gado,
.depois com uma guerra, um coração de mulher não se abria,
.eles eram de outra natureza,
.embora a integridade às vezes tendesse à aspereza de uma palavra
.maldita,
.e acudia a desculpa logo aflita
.não se abria o coração de mulher com a promessa de uma guerra,
.isso não tornava íntegra a espera -
.- dizia minha mãe aos pastores que dispostos nos seus amores
.lhe entregavam como penhor
.os seus segredos,
.- à guerra vais
.- da guerra voltas
.- não temas na incerteza
.não se abre o coração de uma mulher, com a promessa de uma
.guerra,
.se assim for abre-se a porta do medo.
.Eu fui guardador de rebanhos,
.interroguei as coisas simples:
.o silvo das cobras,o piar dos mochos à demanda das noites,
.a queda do sol nos pinhais,
.o regresso dos pombos,
.os pavões que só desferiam grito aquela hora,
.o zurro de um burro que dividia o dia em duas partes.
.
.
.Fui guardador de rebanhos
.e interroguei as coisas simples:
.a ordem dos dias suspensos,
.o labor dos pássaros,as asas das borboletas,
.bebi o leite a mojo úbere
.a regalo dos pastores.
.
.
.Um alimento exacto e seguro
.no contentamento puro dos meus cinco anos
.E a minha mãe dizia-lhes...
.As mulheres dão-vos o alimento pela colher,
.acodem aos filhos a ralho,
.acreditam no embalo das sereias nas águas cativas do mar,
.têm sempre as mãos cheias,
.que mais delas se pode imaginar.
..
.
. José Ribeiro Marto ( Portugal ), modalidade Poesia, 1º Prémio.

domingo, dezembro 10, 2006

Cantiga de amigo ou cantiga de mágoa, José Ribeiro Marto

Os meus cabelos longos, lavo lavo .

Águas de espera correndo, .trago trago .

Duas águas tidas, escorro, lavo lavo .

Os meus olhos caídos pedindo trago. .

.

Às aves que partem peço e digo .

Uma nova vinda, um silêncio amigo! .

Um piar chegando, um silêncio guardo .

Um piar partindo, um silêncio trago. .

.

Os meus olhos longos, estendendo estendo .

O silêncio dia, o chegar bailando .

Estas aves nuas, voando, a chegar voando .

Estas aves tuas, chegando a voar chegando. .

.

Ai, as minhas mãos, as tuas tocando .

Ai, as minhas mãos, as tuas trocando. .

.

E as águas das rias, espelhadas e frias .

O luar de volta, o crescer da lua .

Esta morte - ao longe .

Esta ausência - a tua. .

.

Ai, o piar das aves caíndo no vento .

Ai, o piar das aves de ausência antiga. .

.

São de ave aflita, de piar que grita .

São de ave amiga, de piar aflita..

.

José Ribeiro Marto, 1992

já de abalada? ande cá! corra a cuartina de riscas e sente-se aí no mocho (no canapé? é melhor nã, nã seja que as preguetas lhe dêem cabo da roupa).
.
faz calôrê nã? é tempo dele! no cântaro hai água fresquinha! e se quiser entalar alguma coisaaaa... a asada das azeitonas está chêinha, no cesto hai bobinha e papo-secos (com essa chôriça... ou com o quêjo de cabra, iiiisso!, nessa seladêra de esmalte!);
.
chegue-se à mesa! - cuidado não lhe rebole a melancia para cima dos dedos do péi... assim... - entã nã se está melhórê?
.
nã, nã, agora nã vai máinada! estou a guardar-me pra logo... ora na houvera de sêri! ah! já lhe dê o chêro! pois é: alhos e coentros e um nadica de vinagrê... vem aí do alguidar de barro... sim, sã nas carnes prá cêa.
.
como nã sê o que o trouxe cá, forastêro, ‘stêja nesta sulmouradia como à da sua: pode ir mirando os links ("do monte"; "olivais..."; "deste planAlto..."; estas é que são...") os montes de que gostamos; pode ir vendo os posts por data ou esprêtando as nossas etiquêtas
("portados"); ou pode ir passando os olhos só pelos mais recentes.
.
ah! repare lá que por estes lados nã temos o hábito de editarê todos os dias - não é um blogue-diário, 'tá a vêri?; pensámo-lo antes como sendo uma espécie de blogue-testemunho das vozes do Sul (o de cá e os Suis todos); mas temos ainda muito qu'arengar... vamos lá chegando, n'éi? devagarê, que o sol quêma!
.