1.
voz do sul, em sal moura./ espigas e oliveiras em campo maior./ mãos de avós, raízes e galgos sedentos de chuva./ tapete de luz./ calçada puída.// voz do sul: canto lunar da madrugada.
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quarta-feira, junho 11, 2014
"eu voo com as árvores " — inédito © maria toscano.
1.
terça-feira, julho 19, 2011
eu vou com as árvores. poema 7.
segunda-feira, julho 18, 2011
eu vou com as árvores. poema 6.
eu vou com as árvores. poema 4.
domingo, julho 17, 2011
eu vou com as árvores. poema 5
sábado, julho 16, 2011
eu vou com as árvores. poema 3
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no meu coração de andorinha
fizeste tu, ó árvore,
o ninho.
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pousaste devagar de
mansinho
com a polpa dos frutos
que guardas
entre longos ramos
elementais.
antes, roçaste a minha
gravata
como que a pedir licença
de passagem
logo voaste até à terra e esperaste
pela hora dos musgos e pirilampos.
uma vez confundidos com a geada
os teus íntimos líquidos amorosos,
refrescada
ganhaste coragem para erguer
ramos ao alto
árvore ao alto
(pode mesmo cantar-se: )
‘unidos como os dedos da mão/
havemos de chegar ao fim da estrada’)
— pode cantar-se assim teu desejo do universal.
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há muito vinhas sonhando
com a viagem.
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olhando para o ocidente
enfeitiçada
eras a fio, ondeaste com o mar.
rodando-te para sul
assobiaste / com as areias
morenas desertas mouras
durante imensos tempos
com as areias
foste amornando o teu ser
modo de ser.
com os lamentos encantadores
do leste
limaste os requebros afinaste
todas as cordas antes verdes
as cordas, agora, melodiosas.
fadadas
também as folhas te cingiram
ao fenomenal ritmo flamenco.
por fim, a índiga neve
enfrentaste / ao norte
de onde aprendeste
refracções / da luz em cores.
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no meu coração de andorinha
fizeste, ó árvore,
um poiso maravilhoso para te aninhar.
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garantidamente, pois, seguimos
eternos viajantes seres
no voo
de ser amantes.
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maria toscano
em Coimbra, nas ‘Galerias Santa Clara’
a 14 Julho/2011
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quinta-feira, julho 14, 2011
eu vou com as árvores. poema 2. O Homem-Árvore
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era uma árvore.
de passada intensa
de intenso passado.
à medida que se erguia
alongavam-se os braços
ou ramos
e as raízes, frutíferas,
abarcavam cada vez mais
terra céu o mundo.
castanha. possante.
e só.
à sua volta
desejaria flores, gentes de riso
visão todos sentidos
pequenos seres esvoaçantes
uns quase voláteis
maiores seres, outros
— fiéis felinos e audazes —
ágeis seres puros
selvagens por natureza
seres seres seres seres:
a beleza.
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mas era uma árvore
só.
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caminhava firme
como só uma árvore o faz
como só as árvores
sabem o que é caminhar
caminhava indo e vindo
sempre constante
na intensa busca
do universo.
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a árvore, firme e mutante
possante e leve
auspiciava as marés e as quatro estações.
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era, aliás, com a árvore
que as estações nasciam:
à medida do seu passar
com voz altiva
anunciava o libertar das folhas
a purificação do secar ao frio
rebentos indispensáveis à ritual florição
do renascer destinado ao ócio
ao ocioso estio ao sol.
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auspiciava as estações em todo o lado.
tanto trabalho tinha pelos hemisférios que,
às vezes,
pensava em desistir da vida de árvore
pois unia, à tarefa das estações,
pontualmente,
pastorear o recreio das marés:
de manhãzinha, cedo,
chamava-as para a costa;
à tardinha, terna
levava-as para casa.
ninguém imagina
os cansaços e o amor
que a árvore sentia.
ninguém saberá
os encantos e o amor
que a árvore gemia.
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confesso não saber, agora,
do paradeiro dessa árvore
castanha e possante, firme e constante
caminheira como só as árvores sabem
dos caminhos.
se alguém a vir
que me diga por onde pára
para poder ir lá abraçar
a esse homem-árvore.
imponente
na intensa causa da vida
na recriação da luz no mundo.
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abraçar essa imponente árvore. e só.
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maria toscano
em Coimbra, no ‘Café Infante’ (a 13) e nas ‘Galerias Santa Clara’ (a 14)
no Julho de 2011
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quarta-feira, julho 13, 2011
eu vou com as árvores. poema 1. poema do Amor
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faz calôrê nã? é tempo dele! no cântaro hai água fresquinha! e se quiser entalar alguma coisaaaa... a asada das azeitonas está chêinha, no cesto hai bobinha e papo-secos (com essa chôriça... ou com o quêjo de cabra, iiiisso!, nessa seladêra de esmalte!);
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chegue-se à mesa! - cuidado não lhe rebole a melancia para cima dos dedos do péi... assim... - entã nã se está melhórê?
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nã, nã, agora nã vai máinada! estou a guardar-me pra logo... ora na houvera de sêri! ah! já lhe dê o chêro! pois é: alhos e coentros e um nadica de vinagrê... vem aí do alguidar de barro... sim, sã nas carnes prá cêa.
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como nã sê o que o trouxe cá, forastêro, ‘stêja nesta sulmouradia como à da sua: pode ir mirando os links ("do monte"; "olivais..."; "deste planAlto..."; estas é que são...") os montes de que gostamos; pode ir vendo os posts por data ou esprêtando as nossas etiquêtas ("portados"); ou pode ir passando os olhos só pelos mais recentes.
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ah! repare lá que por estes lados nã temos o hábito de editarê todos os dias - não é um blogue-diário, 'tá a vêri?; pensámo-lo antes como sendo uma espécie de blogue-testemunho das vozes do Sul (o de cá e os Suis todos); mas temos ainda muito qu'arengar... vamos lá chegando, n'éi? devagarê, que o sol quêma!
